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"Rosto de Mãe West Podendo Ser Utilizado como Apartamento Surrealista"
Óleo sobre tela -
ano 1934/1935

 

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CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE SALVADOR DALÍ

     Neste ano, 2004, o mundo inteiro comemora o centenário do nascimento de Salvador Dalí, na minha opinião particular um dos maiores gênios que a Arte já produziu.
      Como pintor surrealista foi no inconsciente que ele encontrou uma matéria infinita de criação.
     Esta não será a primeira vez que falaremos de Salvador Dalí neste nosso espaço de História da Arte, mas desta vez com a licença de nossos leitores não falarei sobre ele deste ponto de vista mas, sim, estarei reproduzindo para vocês partes de um artigo muito inspirado do médico e psicanalista Dr. José Outeiral para o Jornal do Margs, edição nº 98.

"Relógio Mole no Momento de Sua Primeira Explosão"

Óleo sobre tela - ano 1954 -

     "Salvador Dalí (1904-1989) é um daqueles artistas que nos auxiliam a sonhar e a pensar; é impossível olhar uma de suas obras sem que surja um questionamento. É difícil não ter uma opinião sobre um quadro de Dalí, ou se gosta ou não se gosta, ninguém fica indiferente. Uma forte reação estética é sempre provocada.      Salvador Dalí é um daqueles artistas que nos leva até William Sheakespeare quando este escreveu que somos feitos da mesma matéria dos sonhos e que a vida nada mais é que o espaço entre dois sonhos. Dalí fez de sua vida e sua obra um sonhar ininterrupto. Provavelmente este é um dos elementos que nos captura em sua obra: o convite que faz ao espectador para que este sonhe a partir das imagens pictóricas que o pintor nos oferece. O sonho como operação do inconsciente, se expressa por imagens. Não se trata, entretanto, de explorar o inconsciente pela arte ou entender a arte através do inconsciente. O inconsciente e sua expressão imagética principal que é o sonho são a existência estética em si mesma.      Salvador Dalí faz de sua obra e de sua vida a extrema manifestação estética e existencial do surrealismo. Olhos arregalados e finos bigodes encerados voltados para cima, como dois sabres sarracenos (agora sonha quem escreve) assustam, arrebatam e cativam o espectador. O espetáculo encanta e domina em Salvador Dalí e o espectador tende a desaparecer; resta uma amálgama da obra e do que ela desperta no que olha. A pintura, a escultura e o cinema são instrumentos dos quais se vale para os seus "sonhos". Louco, fascista, gênio ou incompreendido, qualquer que seja a categoria que algum Descartes queira fazer do artista, ele foi um sonho, viveu na vida e na obra os sonhos que, talvez, não conseguisse verdadeiramente sonhar. Ao aforismo de Descartes, "penso, logo existo", Salvador responde "sonho, logo existo". Freud sabemos, não correspondeu na mesma intensidade à aproximação apaixonada dos surrealistas com sua obra; mas Dalí o impressionou. Peter Gay, um dos biógrafos de Freud, comenta que quando Dalí visitou, em julho de 1938, o criador da psicanálise, levado por Stefan Zweigh, o autor do livro sobre os sonhos e desbravador do inconsciente, comentou em carta com o escritor sobre um retrato dele feito pelo pintor, na ocasião da visita, que "aquele jovem espanhol, com seus cândidos olhos fanáticos e sua inegável maestria técnica me fez mudar de opinião. Seria, na verdade, muito interessante explorar analiticamente um quadro semelhante".

Mostra comemora centenário de Salvador Dalí

Washington - Uma exposição de pinturas a óleo de Salvador Dalí foi inaugurada dia 5 de abril, em Washington para comemorar o centenário de nascimento do pintor surrealista espanhol, mas ficará em cartaz somente até o dia 20, encerrando antes da data de nascimento do pintor, dia 11 de maio.
A mostra contém oito óleos pequenos pintados durante um período de quatro décadas. Com uma carreira intensa, marcada por inúmeras exposições e um grande sucesso de vendas, o pintor catalão morreu em 1989.
Entre os quadros exibidos estão o retrato de sua mulher Gala, pertencente ao museu de St. Petersburg, na Flórida. A exposição foi montada na sede central da Smithsonian Institution, uma entidade de divulgação cultural criada mediante doações do cientista britânico James Smithson, no século 19.
Destacam-se ainda, na mostra, as telas A Persistência do Bom Tempo, Fantasias Diurnas e O Anjo de Port Lligat, que é o porto catalão onde gostava de pintar. Mas falta na mostra seu quadro mais famoso, A Persistência da Memória, com um relógio flexível dobrado sobre um ramo de árvore.

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